De um conto de fadas a um filme de terror

O Rei Leão, o Dumbo ou o Bambi não são apenas personagens de histórias infantis. São também animais, espécies reais que podem desaparecer. E se as fábulas mágicas passassem de repente a ser filmes de terror? O risco existe e tem de fazer tudo o que for possível para o evitar.

Viver na Terra sem gorilas, elefantes, ursos, baleias, golfinhos, aves, insectos, árvores ou plantas seria um autêntico pesadelo. Até parece o argumento de um filme de terror. No entanto, se nada for feito, o risco de acontecer uma tragédia é cada vez mais real.

Perante esta ameaça, salvar o planeta está nas nossas mãos. E não precisamos de recorrer a super-heróis nem a figuras míticas, como o Tarzan. Temos é de exigir a cada um de nós uma mudança de comportamentos que trave o ritmo da destruição provocada pela acção do ser humano, como é o caso do aquecimento global e das alterações climáticas.

O que dizem os números?

O alerta é feito pela Organização das Nações Unidas (ONU), cuja última grande investigação revela que há um milhão de espécies de animais e vegetais em risco de extinção no prazo de apenas de algumas dezenas de anos. Como estão identificadas cerca de oito milhões de espécies, o risco de extinção tem um alcance muito significativo.

A população humana não pára de crescer e a exploração de recursos está a níveis nunca antes vistos:

  • 33% dos recursos pesqueiros marítimos eram, em 2015, explorados em níveis considerados insustentáveis pela FAO (Organização para a Alimentação e Agricultura da ONU)
  • A área de floresta virgem diminuiu 7% entre 2001 e 2018, o equivalente à França e Reino Unido
  • Só em 2018 houve 12 milhões de hectares cobertos por árvores que desapareceram nos trópicos (segundo a Global Forest Watch); quase um terço desta área era floresta virgem e os 3,6 milhões de hectares perdidos apenas num ano equivalem à dimensão da Bélgica.

Quanto à ameaça da poluição, diz a ONU que os plásticos nos oceanos já ameaçam 86% das tartarugas, 44% das aves e 43% dos mamíferos marinhos.

Quais as consequências?

Os cálculos e as previsões contidos na ‘Avaliação Global sobre Biodiversidade e Ecossistemas’ admitem que, por exemplo, 10% dos insectos estão em risco de extinção, o que pode ter consequências devastadoras na polinização de  culturas alimentares. Ou seja, de um momento para o outro, a Humanidade corre o risco de ficar sem acesso a fruta ou legumes frescos.

Os cientistas explicam que o mundo precisa de uma nova atitude, que salvaguarde os próprios alicerces das economias, como os meios de subsistência, a segurança alimentar, a saúde e a qualidade de vida na Terra.

O caminho de mudança começa em cada um, de forma individual. Essa mudança deve ser feita também em nome das gerações futuras, que vão ficar a habitar o planeta que lhes deixarmos. E essas futuras gerações merecem que os protagonistas das histórias do Rei Leão, do Dumbo ou do Bambi continuem por cá, não apenas nos livros ou nos filmes, mas principalmente nos seus habitats naturais.