Menos sal na comida: estudo inédito

Durante 12 semanas 311 voluntários participaram num estudo que ensinou a mudar hábitos alimentares com o objectivo de reduzir a ingestão de sal. A saúde destes voluntários agradece a mudança.

É um estudo inédito sobre o impacto positivo na saúde da redução do consumo de sal. Durante 12 semanas, 311 pessoas participaram num projecto destinado a educar para um menor consumo de sal e para a adopção de um estilo de vida mais saudável, com os voluntários a serem acompanhados por nutricionistas e outros profissionais de saúde.

E os resultados do estudo são animadores, já que os voluntários que completaram o programa mostraram melhorias consideradas significativas ao nível da redução da sua pressão arterial, apenas através da redução da ingestão de sal no plano alimentar e de hábitos mais saudáveis.

O estudo ReEducar (Reeducação para uma alimentação saudável) foi pensado para obter dados científicos que permitissem avaliar de que forma é que uma menor ingestão de sal, em simultâneo com a adopção de estilos de vida saudáveis, permite reduzir a pressão arterial e o risco de doenças cardiovasculares, diminuindo a probabilidade de um enfarte ou acidente vascular cerebral (AVC). Durante as 12 semanas, diversos profissionais de saúde foram aconselhando os participantes no momento da compra no supermercado e fizeram a respectiva avaliação clínica que se materializou num estudo inédito que pretendeu responder à questão: O consumo de sal e potássio tem consequência directas para a saúde?

Sal rosa do Himalaia

Sal: o seu consumo tem consequência directas para a saúde?

Os benefícios de cortar no sal

Conceição Calhau, professora da Nova Medical School, coordenadora da Unidade Universitária de Lifestyle Medicine da CUF e também uma das coordenadoras do estudo ReEducar, sublinhou a importância desta iniciativa pelo facto de passar a conhecer com dados concretos os efeitos na saúde de uma mudança dos hábitos alimentares, sabendo-se à partida que a ingestão de sal em Portugal é muito elevada (10,7 gramas por dia em média) e quase o dobro do que é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (5,8 gramas por dia).

É um problema de saúde pública em Portugal e está associado a várias doenças, nomeadamente à hipertensão que afecta 40% da população e que pode levar ao AVC ou ao enfarte.

Conceição Calhau

Menos sal, melhor saúde

Esta iniciativa foi feita no âmbito do ‘Programa Menos Sal Portugal’, lançado no início de 2019 pelos grupos Jerónimo Martins e José de Mello Saúde, através do Pingo Doce e da CUF, respectivamente.

Durante a realização do estudo, através do qual foi sendo reduzida a quantidade de sal presente na alimentação diária, registou-se uma diminuição da pressão arterial em 2,1 milímetros de mercúrio. “Pode parecer muito pouco, mas os estudos internacionais dizem que dois milímetros de mercúrio mantidos ao longo do tempo correspondem a uma redução de cerca de 10% da mortalidade por AVC”, explicou Jorge Polónia, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, e médico especialista em medicina interna e hipertensão arterial do Hospital CUF Porto.

Dois milímetros de mercúrio mantidos ao longo do tempo correspondem a uma redução de cerca de 10% da mortalidade por AVC.

Jorge Polónia

O médico e investigador, que também foi um dos coordenadores do estudo, especificou ainda que o benefício “pode ter repercussões muito grandes em termos de redução de risco” e que, em alguns doentes, pode mesmo adiar “o início da terapêutica ou, pelo menos, melhorar muito o efeito dos medicamentos com os quais já estão a ser tratados”.

Colheres cerâmicas com sal e especiarias

Substituir e reduzir o sal: como mudar de atitude

Sal: como mudar de atitude

Na avaliação feita pelos candidatos no final da iniciativa, a grande maioria – 95% – revelou ter adquirido um maior conhecimento sobre os alimentos e a sua composição.

É o caso de Nuno Zanatti, hipertenso, que admite ter aprendido a ler os rótulos dos produtos, passando apenas a comprar os que têm menos sal, tendo mesmo decidido banir alguns produtos da sua alimentação.

Outra candidata confessou que tem agora a “mão menos pesada” no momento de confeccionar os pratos, e que passou a utilizar mais ervas aromáticas como forma de intensificar o sabor dos alimentos sem necessidade de recorrer ao sal.

É no âmbito do Programa Menos Sal Portugal que se destaca os benefícios do tomilho bela-luz.

Uma alternativa com menos sal

A capacidade do tomilho bela-luz em oferecer uma alternativa ao sal foi aproveitada pelo Pingo Doce para ser incorporado numa maionese muito especial, com um teor de sal mais baixo que a tradicional maionese.