O problema da desflorestação em zonas tropicais

Desde a década de 1960, mais de 50% das florestas tropicais foram destruídas.

São muitas árvores cortadas, mas é também muita biodiversidade ameaçada, desde animais a plantas.

As florestas que restam são responsáveis por absorver um terço do dióxido de carbono libertado anualmente pela queima de combustíveis fósseis e por regular o ciclo da água, entre outras funções. Então, por que razão é que continuamos a destruí-las? A resposta é complexa.

Causas da desflorestação em regiões tropicais

É natural que quando pensamos na palavra “desflorestação” venha imediatamente à cabeça a imagem do corte de árvores para a produção de madeira e papel. Mas nem sempre o objectivo é esse.

A desflorestação afecta directamente a vida de 1,6 mil milhões de pessoas cuja subsistência depende das florestas. Para muitas populações, as florestas são fonte de alimentação, de acesso a água potável, combustível ou até mesmo de espiritualidade.

Muitas indústrias, decisões políticas ou factores culturais podem, no entanto, incentivar à desflorestação. Em algumas regiões, as florestas são encaradas como um entrave à expansão de zonas urbanas, à construção de estradas ou infraestruturas, produção de alimentos ou acesso a matérias-primas utilizadas um pouco por todo o mundo. Algumas das mais conhecidas são:

O óleo de palma é responsável por uma boa parte da desflorestação
  • Óleo de palma

    O óleo de palma está presente numa grande variedade de produtos, desde snacks e doces, a produtos de beleza e cuidado da pele. A sua produção é responsável por uma boa parte da desflorestação de alguns dos ambientes tropicais mais diversos e ricos do planeta. Calcula-se que a indústria de óleo de palma venha a valer mais de 86 mil milhões de euros até 2021.

A produção de soja é uma das causas da desflorestação.
  • Soja

    A produção de soja é uma enorme indústria, particularmente no Brasil, que lhe dedica mais de 20 milhões de hectares. Cerca de 80% desta área é utilizada para produzir soja que é depois utilizada em rações animais.

O mercado internacional de carne bovina é um dos principais culpados da desflorestação.

A produção destas e outras matérias-primas como a borracha, café, cacau e açúcar, está no topo das causas da desflorestação nas regiões tropicais. Outras causas podem encontrar-se na produção de carvão e na extracção ilegal e insustentável de madeira, minerais, gás ou petróleo.

Desflorestação e alterações climáticas andam de mãos dadas

Perder florestas também significa perder habitats. 80% da biodiversidade terrestre vive em florestas, o que significa que a desflorestação, aliada às mudanças drásticas de temperatura ou à erosão dos solos, pode colocar em risco a sobrevivência de muitas espécies de seres vivos.

A degradação florestal é simultaneamente uma causa e um efeito das alterações climáticas. Com o aquecimento global, a mudança rápida de estações e a subida do nível do mar, as florestas tropicais ficam mais secas, destruindo de forma irreversível a biosfera envolvente. Quanto mais fraca fica a floresta, mais vulnerável se torna à sua destruição.

As áreas naturais circundantes às florestas ficam também mais vulneráveis a incêndios naturais ou provocados pelo homem. Só em 2019, pelo menos 906 mil hectares da floresta amazónica foram queimados. A destruição chegou ao Brasil, Bolívia, Paraguai e Perú, mas também ao Sudeste Asiático, EUA (Califórnia) e Austrália.

Combater a desflorestação tropical

As matérias-primas (ou commodities) que estão associadas a este risco de desflorestação fazem parte da alimentação diária de milhões de pessoas em todo o mundo, directa ou indirectamente. Por isso, é difícil simplesmente acabar com o seu consumo global. Isso não significa, no entanto, que não haja nada a fazer – esta história não fica por aqui.

Para combater a desflorestação, produtores, fabricantes e retalhistas desenvolvem estratégias conjuntas tendo em vista o fim da destruição das florestas tropicais e a perda de habitats. Estas estratégias podem passar pela substituição das matérias-primas com risco de desflorestação nos processos de fabrico ou por uma certificação que garante uma origem sustentável dos produtos que compramos.

O que significa ter “origem sustentável?”

De uma forma simples, para que uma matéria-prima seja considerada de origem sustentável, é necessário ter em conta a combinação de vários factores, como é o caso do risco de desflorestação, mas também as práticas agrícolas adoptadas ou a defesa dos direitos humanos e laborais.

Enquanto membro da Roundtable on Sustainable Palm Oil (RSPO) e da Round Table on Responsible Soy (RTRS), o Grupo Jerónimo Martins rastreia desde 2014 a origem de commodities com risco de desflorestação, como o óleo de palma, a soja, o papel e madeira, mas também a carne bovina nos frescos e produtos de Marca Própria vendidos nas suas lojas em Portugal, Polónia e Colômbia.

Quando utilizadas, estas matérias-primas devem ser, o mais possível, de origem sustentável. Em 2019, 92% de todo o óleo de palma presente nos produtos do Grupo foi certificado pela RSPO, enquanto 10% da soja utilizada que provinha de países em risco de desflorestação tinha certificação RTRS ou ProTerra. Quanto ao papel virgem e fibra de madeira utilizados, menos de 0,5% tinha origem em países com risco de desflorestação e destes mais de 60% tinham uma certificação que assegura a sua origem e produção sustentáveis pelo Forest Stewardship Council ou pelo Programme for the Endorsement of Forest Certification. Ao mesmo tempo, menos de 1% de toda a carne bovina vendida nas lojas do Grupo tem origem em países em risco de desflorestação.

Sabonetes Pingo Doce certificados pela RSPO.

Um sabonete diferente

Numa iniciativa pioneira em Portugal, os sabonetes Pingo Doce e Amanhecer foram os primeiros produtos nacionais certificados pela RSPO. O selo da RSPO, presente na embalagem dos sabonetes, demonstra o compromisso do Grupo Jerónimo Martins no combate à desflorestação.