Incêndios florestais: um país (e um planeta) em chamas

Ainda se lembra das imagens avassaladoras que nos chegaram da Amazónia, do Brasil e também da Austrália, com os fogos a aproximarem-se das grandes cidades?

2019 foi um ano “negro” a nível mundial, com incêndios de grande dimensão registados tanto na região Ártica, “como na Austrália, Indonésia, Amazónia, Europa, Chile, Califórnia ou África Central”.

Não estamos preparados para lidar com incêndios florestais cada vez mais agressivos e difíceis.

Esta é uma das conclusões do relatório “Um Planeta em Chamas”, divulgado pela Associação Natureza Portugal, em conjunto com a World Wildlife Fund Portugal (ANP|WWF) e a WWF Espanha.

Portugal também é zona de risco

A Península Ibérica é muito vulnerável a “super incêndios”, e algumas das razões apontadas são “o despovoamento rural ou a ausência de incentivos e políticas de gestão do território” adequadas, além do aquecimento global. A isto, juntam-se a sinistralidade e a intencionalidade de muitos incêndios florestais, provocados por mão humana.

Portugal é zona de alto risco de incêndios florestais

Em Portugal foram registados 9.394 incêndios rurais entre Janeiro e Outubro de 2020, que resultaram em 65.887 hectares de área ardida. Estamos a falar de uma área a equivalente a cerca de 92.000 campos de futebol! Sim, leu bem: 92.000 campos de futebol num ano apenas.

Ainda que os números tenham reduzido significativamente nos últimos dez anos, não podemos esquecer os trágicos acontecimentos que fizeram de 2017 o pior ano de incêndios florestais em quase um século em Portugal, primeiro na zona de Pedrógão Grande e, em Outubro desse ano, no Pinhal de Leiria e nas regiões de Coimbra, Viseu e Castelo Branco.

Portugal Chama (-nos) à acção contra os incêndios florestais

Algumas das conclusões do estudo sobre os incêndios podem ser verdadeiramente desoladoras, mas é certo também que existe solução e essa está nas nossas mãos: a prevenção.

A campanha de sensibilização e mobilização nacional “Portugal Chama”, criada pela Agência para a Gestão Integrada de Fogos (AGIF) visa educar e alertar a população para os incêndios que todos os anos assolam as florestas portuguesas, e ajudar a evitar a sua ocorrência.

A iniciativa Portugal Chama tem um website oficial, onde são oferecidos conselhos, alertas e esclarecidas dúvidas em relação aos procedimentos necessários para prevenir e evitar incêndios em Portugal.

Desde pórticos de auto-estrada, anúncios na televisão e spots de rádio a cartazes em lojas Pingo Doce e Recheio em todo o país, este Verão a campanha volta a sensibilizar todos os cidadãos para a prevenção de incêndios em situações como acampamentos e piqueniques, limpeza de terrenos e realização de queimas e queimadas, bem como informação preciosa sobre segurança em caso de incêndio.

Escala de Risco de Incêndio

A escala que caracteriza o risco de incêndios em Portugal divide-se em cinco categorias: Reduzido, Moderado, Elevado, Muito Elevado, e Máximo.

Infelizmente, durante os meses de Verão, o risco de incêndio é frequentemente Elevado, Muito Elevado e Máximo. É importante que, estando perto do campo ou da floresta, seja a viver, trabalhar ou apenas a veranear, tenha atenção ao risco diário.

Pode consultar o risco temporal de incêndio em Portugal, por concelho, no website do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), na app dedicada do ICNF, ou no website do Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA).

Nas mãos dos mais pequenos

A capacidade influenciadora dos mais pequenos pode ajudar a mudar comportamentos (veja-se o que fizeram pela reciclagem) e a reduzir a negligência, um factor responsável por mais de metade dos actuais incêndios no país. Este ano, além dos adultos, a campanha Portugal Chama apela também à sensibilização das crianças para proteger Portugal dos incêndios rurais.

Raposa Chama

A “Raposa Chama” é o mote para cativar as crianças do 1º. e 2º. ciclos, entre os 5 e os 12 anos, a tornarem-se embaixadores desta causa. Os alunos são convidados a realizar desafios e actividades criadas especificamente para o efeito, que podem depois ser partilhadas nas redes sociais através das hashtags #raposachama e #bandadafloresta.

Sabia que…

  • 85% dos incêndios começam a menos de 500m de uma estrada ou de áreas habitadas ou cultivadas?
  • 60% dos incêndios são resultado de fogueiras, queimas e queimadas mal feitas?
  • Portugal é o país europeu mais castigado pelos incêndios? Nos últimos 30 anos é o que mais sinistros enfrentou e aquele em que mais hectares foram queimados.
  • Todos os anos Portugal vê arder mais de 3% da sua superfície florestal?

Evite comportamentos de risco durante as férias

Sempre que estiver tempo quente, seco e vento – e possivelmente seja um dia de risco máximo de incêndio:

  • Não lance foguetes;
  • Não faça lume ou fogueiras no campo ou na floresta;
  • Não queime sobrantes ou lixo;
  • Não use certas máquinas agrícolas eléctricas ou a combustível para evitar faíscas;
  • Não use grelhadores.

Outras recomendações gerais são:

  • Não atire pontas de cigarros para o chão;
  • Use grelhadores ou fogueiras apenas em locais preparados;
  • Apague bem qualquer fogo que fizer (grelhadores, fogueiras, etc), mesmo em locais preparados;
  • Verifique que o terreno à volta de um acampamento está limpo e a saída desimpedida;
  • Tenha um extintor se usar uma autocaravana;
  • Não cozinhe dentro de tendas;
  • Não acenda velas nem fume dentro de tendas e caravanas;
  • Informe-se sempre do risco de incêndio do próprio dia.

 

Por um país, e um planeta, sem chamas.


Este artigo foi actualizado em Março de 2021.