Um rótulo alimentar recheado… de informação

Sabe que quantidade de açúcar tem um iogurte? Ou quais os minerais que estão presentes no leite do pequeno-almoço? Por vezes os rótulos alimentares podem parecer autênticos quebra-cabeças, mas acredite que é mais fácil entendê-los do que imagina.

Um estudo de 2017 indica que quase 40% dos consumidores em Portugal tem dificuldade em compreender a informação nutricional apresentada nas embalagens de produtos alimentares. Quando chega a hora da compra, os consumidores, em particular os mais informados, dão bastante importância aos atributos de um produto — sem glúten, sem lactose, sem organismos geneticamente modificados (OGM), para dar alguns exemplos — mas reconhecem que pode ser difícil compreender a informação nutricional.

Para além dos atributos nutricionais dos alimentos, marcas e retalhistas têm procurado melhorar a qualidade da informação disponível nas embalagens. Um dos caminhos é criar padrões que ajudem o consumidor a tomar as escolhas mais acertadas. Se acabou de chegar do Pingo Doce com as suas compras — acreditamos que as trouxe dentro de um saco reutilizável —, escolha o alimento que lhe apetecer e observe a embalagem. Está na hora de interpretar o rótulo alimentar.

A tabela de informação nutricional

A tabela de informação nutricional não é uma novidade nos rótulos alimentares. É uma tabela em que constam os valores médios de energia, lípidos, hidratos de carbono, açúcares, fibra, proteínas e sal que cada 100 g ou 100 ml do alimento em questão contêm. Geralmente, apresentam-se também os valores correspondentes à porção média indicada, que depende do alimento, e a correspondente percentagem das doses de referência (DR).

Calorias
  • Energia

Apresentada em quilojoules (kJ) e quilocalorias (kcal), corresponde ao valor calórico total fornecido pelos alimentos ao organismo.

Azeite
  • Lípidos

São mais conhecidos por gorduras. Importantes para o transporte de vitaminas, produção de hormonas e proteção de órgãos. As gorduras saturadas, encontradas em muitos alimentos de origem animal como a manteiga e os ovos, podem elevar os teores de colesterol se consumidas de forma desequilibrada. A qualidade das gorduras saturadas deve ser igualmente ponderada principalmente em produtos muito processados.

Pão
  • Hidratos de carbono

Injustamente rotulados de inimigos, fornecem a energia indispensável ao funcionamento dos músculos e cérebro. Exemplos de hidratos de carbono: açúcares (encontram-se em produtos processados como bolachas, chocolates ou refrigerantes; estão também presentes de forma natural na fruta e cereais), amido (no pão, arroz, batatas e massa) e fibra (pão, massas integrais e leguminosas), pelo que se deve ter atenção às várias fontes do que se consome ao longo do dia.

Brócolos
  • Fibra

Fundamental para o controlo da glicémia e do colesterol, e para o bom funcionamento do intestino. É também um hidrato de carbono.

Ovos
  • Proteínas

Essenciais ao crescimento e manutenção do corpo humano. As proteínas são componentes estruturais das células.

Sal
  • Sal

O aumento da pressão arterial é um dos efeitos negativos, se for consumido em excesso. Mas o sal tem uma função importante no funcionamento do organismo, sendo necessário para a atividade dos músculos e do sistema nervoso.

O que é a dose de referência (DR)?

É um valor recomendado da quantidade de nutrientes necessária para atender às exigências de um adulto médio. A DR pretende ajudar na interpretação da informação nutricional, servindo de referência ou ordem de grandeza. É geralmente calculada para nutrientes, energia, vitaminas e minerais. Por exemplo, a DR de calorias ronda 2.000 kcal diárias para adultos saudáveis. Este valor pode, no entanto, mudar conforme o género, a idade ou a atividade física entre outros fatores.

As regras de ouro da rotulagem

Segundo as regras de rotulagem de alimentos da União Europeia (UE), um rótulo alimentar deve:

  • Conter a lista completa dos ingredientes (incluindo aditivos), informações sobre alergénios e a quantidade de determinados ingredientes, devendo ser apresentada por ordem decrescente de peso, de modo que o primeiro ingrediente da lista seja aquele com maior concentração.
  • Indicar a percentagem de certos ingredientes que constem do nome do produto, sejam destacados no rótulo alimentar ou essenciais para caracterizar o alimento ou distingui-lo de outros (por exemplo, o rótulo de uma tarte de maçã deve informar sobre a percentagem de maçã na lista de ingredientes).
  • Indicar os alergénios de forma clara e distinta de outros ingredientes, usando, por exemplo, um tipo/tamanho de letra diferente ou uma outra cor de fundo.
  • Recorrer à palavra contém para apresentar os alergénios (por exemplo “contém glúten” ou “contém sulfitos”) no caso de não ser apresentada uma lista de ingredientes.

Os aditivos são frequentemente indicados pelo seu número “E”. Isto significa que o aditivo alimentar é autorizado na UE e passou os testes de controlo de segurança e qualidade. Para saber quais são, o nome legal e o propósito pode consultar a lista completa de todos os aditivos alimentares autorizados.

Vegetariano, vegan, sem glúten, sem lactose

As indicações "vegetariano", "vegan", "sem glúten" e "sem lactose" são de inclusão opcional em Portugal, uma vez que a lista de ingredientes e de alergénios já é obrigatória. Após controlos laboratoriais, o Pingo Doce atualiza mensalmente os seus catálogos “SEM GLÚTEN” e “SEM LACTOSE” disponíveis online.

Origem, conservação e instruções

Além da informação nutricional, dos ingredientes e dos alergénios os rótulos alimentares devem ainda conter informação sobre o peso ou volume líquido, país de origem, nome e localização do produtor, condições especiais de utilização e conservação (por exemplo “consumir dentro de três dias após abertura” ou “conservar no frigorífico depois de aberto”), bem como instruções de uso.

Nutri-Score: menos é mais

Para além de toda esta informação, é possível que já se tenha cruzado com um código de cores e letras presentes na frente de uma embalagem de produtos processados. Chama-se Nutri-Score (do inglês Nutritional Score – algo como “Pontuação Nutricional”) e é um sistema de rotulagem que permite aos consumidores, através de um sistema de cores, avaliar rapidamente o perfil nutricional de um alimento.

Nutri-score

O Nutri-Score classifica os alimentos numa escala colorida, onde as letras de A a E correspondem, respetivamente, às cores verde-escuro, verde-claro, amarelo, laranja e vermelho.

De forma intuitiva, o verde-escuro (A) está associado a alimentos com uma composição nutricional mais equilibrada e o vermelho (E) a alimentos com maior quantidade de gorduras, açúcares ou sal.

E como é calculada a “nota” Nutri-Score?

Existe um algoritmo que atribui pontos aos diversos nutrientes de um produto. O cálculo é feito somando os pontos dos nutrientes menos desejáveis (como gorduras, sal e açúcar) e subtraindo a pontuação dos nutrientes mais desejáveis como proteínas, fibra ou fruta, e hortícolas. Quanto mais baixa for a pontuação total, mais saudável é o alimento.

É importante perceber que a tabela nutricional das embalagens nem sempre mostra a proporção entre fibra e frutas/legumes/frutos secos. Isto pode influenciar o resultado final. O caso da batata-doce, por exemplo: é um vegetal rico em amido, mas não é contabilizado na percentagem de vegetais.

É importante salientar que o Nutri-Score deve ser usado de forma complementar com o restante rótulo. O sistema foi criado para facilitar a escolha entre alimentos semelhantes da mesma categoria e produzidos de forma industrial. O Nutri-Score não deve ser usado para uma comparação entre leite simples e leite com chocolate, serve sim para comparar diferentes leites com chocolate.

Alimentos como frutas, vegetais e cereais integrais não transformados, partes essenciais da Dieta Mediterrânica, estão isentos da aplicação de Nutri-Score. Este rótulo apenas pode ser encontrado em produtos processados.

Lembre-se: não precisa do rótulo Nutri-Score para saber que a sua peça de fruta favorita terá sempre nota A.