Entender a separação do plástico

A reciclagem do plástico - e de qualquer outro material, na verdade - começa com uma acção muito simples, mas muito poderosa: a separação do lixo doméstico.

Esta é uma das etapas fundamentais da reciclagem. E como já deve ter percebido, passa inteiramente pela atitude de cada um, pela consciência ambiental que tem e pelos hábitos do dia-a-dia. Mas, o que é que acontece depois de o lixo ser separado em casa?

Existem ainda alguns mitos e mal-entendidos em torno da reciclagem de plástico, metal, vidro, papel e cartão.

E é importante esclarecê-los de uma vez, para que seja mais fácil perceber de que forma podem as antigas embalagens ser transformadas em novos objectos, combustíveis ou energia. Quem diria que a vida secreta do plástico fosse tão interessante?

O primeiro passo da reciclagem de plástico

Para começar, cada país faz a separação do lixo de muitas formas diferentes.

Uns separam as embalagens de plástico dos outros tipos de plástico, outros separam todo o plástico e metal do papel e vidro. Há também locais que separam apenas os materiais recicláveis dos resíduos orgânicos antes de os enviarem para um centro de triagem. Seja qual for a forma como se faz a triagem no seu país ou na sua localidade, estará no caminho certo desde que separe o lixo em sua casa. Depois, esse lixo doméstico, já separado, tem de ser colocado nos ecopontos apropriados. O mais normal é haver um ecoponto para plástico e embalagens, outro para papel e cartão, outro para embalagens de vidro e ainda um ecoponto para lixo doméstico indiferenciado.

Os centros de triagem recebem o lixo que as pessoas colocam nos vários ecopontos. Após uma selecção inicial, os materiais recicláveis são separados uma e outra vez. É assim que o metal é separado e o alumínio não fica perdido entre sacos de plástico e garrafas. É também aqui que são separados os vários tipos de plástico, para que as indústrias da reciclagem os possam utilizar.

Nesta segunda etapa, os plásticos são enviados para as empresas de reciclagem. Os rótulos e adesivos são removidos das embalagens seleccionadas e todos os resíduos plásticos válidos são lavados para remover a sujidade e os restos de alimentos, por exemplo. É a partir daqui que a magia acontece.

Métodos de reciclagem de plástico mais comuns

Está na hora de conhecer os dois métodos de reciclagem de plástico mais comuns. Vamos tentar explicá-los de uma forma simples.

  1. Reciclagem Mecânica

    O plástico é separado, lavado e cortado em pequenos pedaços, pronto para ser processado. A extrusão é o passo seguinte. Basicamente todas aquelas pequenas peças de plástico são fundidas e arrefecidas para criar as chamadas pellets: pequenas esferas de plástico reciclado.

    Estas pellets mágicas, resultantes da mistura de várias embalagens plásticas antigas, estão agora prontas para ser aquecidas, moldadas e transformadas em novos produtos. Para criar peças ocas, como garrafas de água, as pellets são derretidas e “sopradas” através de ar comprimido contra as paredes de um molde, para tomar a forma do objecto desejado.

    O que antes era uma garrafa de água pode agora ser… um agrafador! Parece magia.

  2. Reciclagem Química

    Prepare-se para o momento nerd do dia (não há outra forma de o explicar): moléculas complexas presentes nos plásticos (chamados polímeros) são decompostas em moléculas mais simples (os monómeros) através de químicos, forçando a decomposição dos plásticos em produtos gasosos, líquidos ou sólidos, que depois são usados para produzir combustíveis.

O que acontece aos plásticos que não podem ser reciclados?

O plástico que não pode ser reciclado passa por um processo de recuperação energética, que o transforma em energia térmica e eléctrica. Por outras palavras, o plástico é incinerado, decompondo-se em três possíveis subprodutos: energia, resíduos sólidos e gases.

Este método é utilizado principalmente para os plásticos que estão demasiado danificados, sujos ou são difíceis de separar dos outros tipos de plástico, o que gera alguma controvérsia devido à potencial natureza tóxica das emissões de gases que decorrem deste processo.

No entanto, fique descansado que a recuperação de energia proveniente da queima do plástico segue regras muito rigorosas, com o objectivo de assegurar que o equipamento utilizado evita a libertação de toxinas para a atmosfera.

De todo o material que vem do contentor amarelo do ecoponto, cerca de 40% tem contaminantes que não podem ser reciclados. Esses 40% de resíduos são enviados para uma central de valorização energética.

Joana Xavier, EGF

E depois da reciclagem do plástico?

Depois deste longo caminho, o plástico reciclado passa a ter uma nova vida. Os materiais que a reciclagem e a indústria da transformação nos dão, são moldados e reinventados para criar novos objectos que fazem parte do nosso quotidiano.

Se for usado, separado e transformado correctamente, o plástico pode ter não uma, mas sim várias vidas. Quem sabe, talvez sete vidas!

Mais reciclagem, menos impactos no ambiente.


Sabia que…

  • O Grupo Jerónimo Martins envia cerca de 85% de todos os resíduos produzidos para valorização?
  • Os sacos plásticos utilizados no Pingo Doce e na Biedronka são feitos com 85% de plástico reciclado pós-consumo? E esses sacos são 100% recicláveis?
  • Tanto a Biedronka como o Pingo Doce vendem um detergente para a loiça, cuja garrafa reciclável é feita com 89% de plástico pós-consumo e 11% de lixo marinho recuperado?